Acho que a ENTRELA começou muito antes de existir como marca.

Ela começou naquela criança que amava se montar pra tudo. Que colocava acessórios demais, misturava cores, inventava combinações e transformava qualquer saída simples em um acontecimento.

                                               

Como eu usava uniforme na escola, encontrava nos detalhes uma forma de ser eu mesma. Então exagerava nos brincos, nas pulseiras e na maquiagem… era meu jeito de me expressar. E uma das frases que mais escutei durante a infância foi:

“Menos, Larissa. Volta e diminui.”

Depois veio a adolescência. E acho que muita menina vai entender quando falo sobre essa fase de tentar caber.

Caber nas tendências.
No estilo das outras meninas.
Na estética das cool girls da escola.

Em algum momento, sem perceber, a gente vai se reduzindo pra pertencer. E eu também passei por isso. Acho que a única coisa que ainda insistia em mostrar minha personalidade era meu cabelo cacheado, que nunca foi discreto.

Mas foi justamente nessa época que comecei a entender outra coisa importante sobre moda: conforto.

Entre os vestidos extremamente justos e os saltos exagerados das festas de quinze anos (que sinceramente até hoje não sei como a gente conseguia usar por tantas horas sem demonstrar nenhum abalo), fui percebendo o quanto me sentia bem em peças que funcionavam na vida real.

Aprendi a amar tênis (com o All Star sempre tendo um lugar especial no meu coração e no meu armário), me apaixonei pelas calças mais larguinhas e fiz do moletom meu melhor amigo no frio das seis horas da manhã.

E mesmo tentando me encaixar, a criação nunca saiu de mim.

Eu rabiscava tudo. Minha mão e meu braço estavam sempre cheios de mini desenhos e letras de música. Amava reproduzir as tatuagens dos meus cantores preferidos em mim e em qualquer pessoa que deixasse. E praticamente todos os meus tênis de tecido tinham algum desenho surpresa feito durante a aula.

Minha mente nunca parou. Eu sempre me inspirei em tudo que consumo. Quando criança, era completamente viciada em programas de reforma, confeitaria e vestidos de noiva (basicamente toda a programação do Discovery Home & Health).

Mas no final da escola eu me senti perdida.

Enquanto todo mundo parecia ter tanta certeza sobre os caminhos tradicionais que queria seguir, eu só tentava encontrar algum lugar em que me sentisse pertencendo.

Então insisti no que parecia “certo”. Meu senso de justiça e minhas pitadas de pessoa intrometida me fizeram acreditar que o meio jurídico combinava comigo.

E aí começaram meus cinco anos de batalha e negação.

No fim deles, precisei aceitar uma coisa:
o tradicional simplesmente não era pra mim.

E foi justamente aí que a ENTRELA nasceu.

De uma jovem mulher tentando encontrar seu lugar feliz no mundo e se reencontrando com a criação, a expressão e a espontaneidade que sempre moveram ela.

Hoje quero levar para outras mulheres esse sentimento de liberdade que a moda pode proporcionar.

Quero mostrar que moda é feita por gente e pra vida real. Que existe estilo pra todo mundo. Que uma peça básica pode se transformar em mil versões diferentes.

Pra mim, o guarda-roupa é a primeira chance que a gente tem de mostrar ao mundo quem é.

E acredito em fazer isso com consciência, conforto e versatilidade.

Porque no fim, o guarda-roupa da vida real precisa ser inteligente. As roupas precisam caber em você, na sua rotina e na sua história.